Aprender depois dos 60: Como novas atividades ampliam a participação social? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Por Astrid Norlund
5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

O aprendizado não precisa terminar com a aposentadoria ou com a chegada da terceira idade. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, pontua uma perspectiva importante para o envelhecimento: manter contato com novas experiências pode estimular a participação, preservar interesses e criar oportunidades de convivência. Cursos, atividades culturais, oficinas, tecnologia e outras formas de aprendizado podem fazer parte da rotina de pessoas mais velhas, desde que respeitem seus interesses, condições e ritmo.

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Por que continuar aprendendo pode mudar a rotina?

Aprender uma atividade nova exige atenção, prática e adaptação. Isso pode acontecer ao estudar um idioma, conhecer uma ferramenta digital, aprender artesanato, participar de uma oficina culinária ou desenvolver uma habilidade que nunca fez parte da rotina. O objetivo não precisa ser alcançar desempenho elevado, mas manter a curiosidade e o envolvimento com novas experiências. O processo também pode ajudar a manter a rotina ativa, criando pequenos desafios que estimulam a participação e a disposição para aprender.

Além do aprendizado em si, essas atividades podem criar novos motivos para sair de casa e estabelecer contatos. Uma aula presencial, por exemplo, oferece a possibilidade de conversar com outras pessoas que compartilham interesses semelhantes. Dessa forma, como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, o conhecimento deixa de ser uma experiência exclusivamente individual. A convivência construída nesses espaços pode favorecer a troca de experiências e ampliar as oportunidades de participação em diferentes ambientes.

A escolha da atividade também importa. Quando o idoso participa de algo que considera interessante, a experiência tende a fazer mais sentido do que quando é colocado em uma atividade apenas porque outras pessoas acreditam que ela seria boa para ele. Participação social também envolve liberdade de escolha. Respeitar preferências e limites aumenta a possibilidade de que o aprendizado se transforme em uma experiência contínua, e não apenas em uma atividade realizada por obrigação.

Quais atividades podem estimular novos vínculos? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Cursos e oficinas são algumas das possibilidades. Aulas de música, pintura, dança, culinária, fotografia, idiomas ou informática podem reunir pessoas com diferentes histórias e experiências. O aprendizado cria um assunto em comum e pode facilitar a aproximação entre participantes que antes não tinham qualquer vínculo. Com o tempo, esses encontros podem favorecer novas amizades e ampliar a rede de convivência para além dos contatos familiares.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Atividades físicas realizadas em grupo também podem combinar movimento e convivência. Caminhadas coletivas, exercícios orientados, dança e outras práticas permitem que a pessoa estabeleça uma rotina fora de casa enquanto mantém contato com outras pessoas. A atividade deve, naturalmente, ser compatível com suas condições individuais. Além de considerar limitações e preferências, o Doutor Yuri Silva Portela frisa que é importante que a prática seja orientada de maneira adequada para evitar que o exercício se transforme em uma fonte de desconforto ou risco.

Como a tecnologia pode entrar nesse processo?

Aprender a utilizar recursos digitais pode ampliar as possibilidades de comunicação e participação. Saber fazer uma chamada de vídeo, utilizar aplicativos de mensagens, acessar serviços ou participar de atividades online pode facilitar o contato com pessoas que vivem longe e reduzir algumas barreiras impostas pela distância. Essas ferramentas também podem facilitar o acesso a informações e atividades que antes dependiam exclusivamente da presença física em determinados locais.

Esse aprendizado precisa ser gradual e respeitar o ritmo de cada pessoa. Dificuldades iniciais são comuns quando uma ferramenta apresenta comandos desconhecidos. Ter alguém disponível para explicar sem tratar o idoso como incapaz pode tornar o processo mais confortável e aumentar sua confiança. Permitir que a própria pessoa pratique os comandos também ajuda a transformar a orientação recebida em uma habilidade que poderá utilizar posteriormente sem depender de terceiros.

O Doutor Yuri Silva Portela ressalta, dentro de uma perspectiva voltada ao envelhecimento, a importância de não confundir dificuldade inicial com incapacidade. Aprender algo novo pode exigir repetição e paciência em qualquer idade. Para o idoso, dominar uma nova ferramenta também pode representar uma forma de ampliar sua independência e manter contatos. A inclusão digital, nesse sentido, pode fazer parte de uma participação social mais ampla, desde que o aprendizado seja acompanhado de acessibilidade e respeito ao ritmo individual.

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