Até onde a tecnologia pode levar a produção sustentável?

Por Diego Velázquez
5 Min de leitura
Guilherme Campos

Produzir mais sem ampliar na mesma proporção o consumo de água, energia, solo e outros recursos se tornou um desafio econômico, além de ambiental. Guilherme Campos, empresário, empreendedor e investidor com atuação também no agronegócio, acompanha um cenário em que a tecnologia pode contribuir para essa mudança, tornando processos mais precisos, reduzindo desperdícios e melhorando o uso dos recursos disponíveis.

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A tecnologia pode mudar a forma de produzir?

Durante muito tempo, aumentar a produção esteve associado principalmente à ampliação da área utilizada, da quantidade de máquinas ou do volume de insumos. A tecnologia permite trabalhar com outra lógica. Em vez de simplesmente aumentar os recursos empregados, uma operação pode buscar maior precisão para aproveitar melhor aquilo que já possui. Essa mudança pode elevar a eficiência sem exigir que o crescimento dependa apenas da expansão física da atividade.

No campo, por exemplo, equipamentos de monitoramento conseguem identificar diferenças nas condições do solo, na disponibilidade de água e no desenvolvimento das plantas. Essas informações ajudam a orientar decisões específicas para cada área, evitando que toda a propriedade seja tratada da mesma maneira quando as necessidades são diferentes. Com isso, o produtor consegue direcionar recursos de forma mais adequada e acompanhar com maior precisão os efeitos de cada decisão.

Para Guilherme Campos, empresário, empreendedor, desenvolvedor imobiliário e investidor com atuação também no agronegócio, essa transformação amplia a importância da gestão. A tecnologia passa a ser mais relevante quando consegue transformar informações em decisões capazes de melhorar produtividade, reduzir perdas e utilizar recursos de maneira mais racional. Nesse contexto, inovação deixa de ser apenas uma questão de modernização e passa a fazer parte da estratégia para tornar a produção mais eficiente e sustentável.

Produzir mais significa consumir mais recursos?

Não necessariamente. Um dos principais potenciais da tecnologia está justamente na possibilidade de aumentar a produtividade sem exigir crescimento proporcional do consumo de recursos. Isso pode ocorrer quando equipamentos e sistemas permitem utilizar somente a quantidade necessária de determinado insumo ou identificar antecipadamente uma situação que poderia provocar perdas.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Na agricultura, essa lógica pode ser aplicada ao uso de água, fertilizantes, defensivos agrícolas, combustível e energia. Segundo Guilherme Campos, uma aplicação mais precisa reduz excessos e permite direcionar os recursos para os pontos em que realmente são necessários. O mesmo princípio vale para a indústria, em que o monitoramento de máquinas e processos pode revelar desperdícios que não seriam percebidos apenas pela observação cotidiana.

Como os dados ajudam a evitar desperdícios?

Toda produção possui algum nível de perda, mas nem sempre é fácil identificar onde ela acontece. Um equipamento pode consumir energia acima do necessário, uma máquina pode permanecer parada durante determinado período ou uma área produtiva pode receber mais recursos do que precisa. Sem informações organizadas, esses problemas podem permanecer escondidos, informa Guilherme Campos.

Sistemas de monitoramento ajudam justamente a tornar essas situações visíveis. Ao reunir informações sobre máquinas, consumo, produtividade e condições de operação, a gestão consegue comparar resultados e encontrar pontos que merecem correção. A decisão deixa de depender exclusivamente da experiência individual e passa a contar também com evidências produzidas durante o funcionamento da própria operação.

No agronegócio, esse processo pode ganhar ainda mais importância porque as condições mudam de acordo com clima, solo, período de cultivo e características de cada área. De acordo com Guilherme Campos, acompanhar essas variáveis permite enxergar a produção como um sistema que precisa ser constantemente ajustado, e não como uma atividade que funciona sempre da mesma maneira.

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