Velórios ao ar livre representam uma transformação profunda na forma como a sociedade brasileira lida com a morte e o luto. Para Tiago Oliva Schietti, especialista no setor funerário, essa tendência internacional começa a ganhar contornos reais no Brasil, impulsionada por mudanças culturais, demandas por maior personalização dos rituais e uma relação mais aberta com a finitude. Ao longo deste conteúdo, serão analisados os principais aspectos que envolvem a adoção dessa prática no país, desde os desafios climáticos e regulatórios até as oportunidades que ela representa para o mercado funerário. Se você atua no setor ou busca entender as novas direções dos rituais de despedida, continue a leitura.
O que são velórios ao ar livre e como essa tendência chegou ao Brasil?
Originários de países com forte tradição em rituais fúnebres personalizados, os velórios ao ar livre propõem uma despedida em contato com a natureza, muitas vezes em jardins, parques ou propriedades privadas. A ideia central é romper com o ambiente fechado e padronizado das funerárias convencionais, oferecendo um espaço mais acolhedor e significativo para familiares e amigos prestarem suas homenagens. Essa proposta ressoa especialmente entre pessoas que, em vida, tinham forte conexão com ambientes naturais ou preferências por cerimônias mais íntimas e personalizadas.
No Brasil, a chegada dessa tendência ainda é gradual, mas já desperta atenção de profissionais do setor. Conforme analisa Tiago Oliva Schietti, o movimento reflete uma mudança geracional na percepção da morte, com famílias cada vez mais dispostas a adaptar os rituais às particularidades de quem partiu. Essa abertura cria um terreno fértil para inovações, embora exija preparo técnico, sensibilidade e conhecimento das normas vigentes.
Quais são os principais desafios para realizar velórios ao ar livre no Brasil?
Realizar um velório ao ar livre no território brasileiro envolve obstáculos que vão além da logística. O clima tropical, marcado por calor intenso e chuvas frequentes, exige planejamento rigoroso para garantir o conforto dos presentes e a integridade do corpo durante o período de velação. Além disso, aspectos sanitários precisam ser rigorosamente observados, já que a legislação brasileira impõe exigências específicas sobre conservação e exposição de corpos, independentemente do ambiente escolhido para a cerimônia.
Outro ponto de atenção envolve a infraestrutura necessária para viabilizar a experiência com dignidade e segurança. Segundo Tiago Oliva Schietti, adaptar espaços externos para esse tipo de cerimônia requer investimento em tendas, climatização, iluminação adequada e suporte logístico especializado. Sem esse conjunto de recursos, o velório ao ar livre pode perder o caráter acolhedor que o define, comprometendo a experiência da família e a reputação do prestador de serviços.

Velórios ao ar livre representam uma oportunidade real para o mercado funerário?
Apesar dos desafios, o potencial de mercado é inegável. A busca por rituais mais personalizados e humanizados cresce de forma consistente no Brasil, especialmente entre as gerações mais jovens, que tendem a valorizar experiências únicas e conexões emocionais nos momentos de despedida. Nesse contexto, as empresas funerárias que souberem se adaptar a essa demanda poderão se destacar em um mercado historicamente resistente à inovação.
Como destaca Tiago Oliva Schietti, o diferencial competitivo no setor funerário cada vez mais passa pela capacidade de oferecer experiências que respeitem a individualidade do falecido e atendam às necessidades emocionais da família. Os velórios ao ar livre, quando bem executados, cumprem exatamente esse papel, tornando-se uma alternativa viável e valorizada por um perfil crescente de consumidores.
Como a regulamentação brasileira trata os velórios fora dos ambientes convencionais?
A legislação funerária no Brasil ainda é fragmentada e varia significativamente entre municípios e estados. Em muitas localidades, não existe uma norma específica que proíba velórios em ambientes externos, mas também faltam diretrizes claras que orientem sua realização de forma segura e padronizada. Esse vácuo regulatório exige que os profissionais do setor atuem com cautela, consultando os órgãos competentes antes de oferecer esse tipo de serviço.
Sob essa ótica, Tiago Oliva Schietti reforça que a atualização regulatória é um dos passos mais urgentes para consolidar os velórios ao ar livre como uma opção legítima no Brasil. A ausência de normas claras não apenas dificulta a atuação das empresas, como também expõe as famílias a incertezas desnecessárias em um momento de extrema fragilidade emocional.
Velórios ao ar livre e o futuro dos rituais de despedida no Brasil
Os rituais fúnebres estão em transformação ao redor do mundo, e o Brasil não ficará imune a esse movimento. A crescente valorização da individualidade, combinada com uma relação mais madura e aberta com a morte, aponta para um futuro em que as famílias terão mais opções para personalizar a despedida de seus entes queridos. Os velórios ao ar livre são apenas uma das expressões dessa mudança, mas talvez uma das mais simbólicas.
Nesse sentido, profissionais e empresas do setor funerário precisam se preparar agora para atender a uma demanda que, embora ainda emergente, tende a crescer nos próximos anos. Conforme aponta Tiago Oliva Schietti, antecipar-se às tendências é o caminho mais seguro para construir autoridade, conquistar a confiança das famílias e contribuir para a modernização de um setor que lida diretamente com um dos momentos mais delicados da vida humana.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
