Daniel Mors, presidente fundador da Golden Brasil e empresário especialista em negócios com minérios, ressalta que diamantes certificados de alta qualidade têm apresentado, em determinados períodos analisados pelo próprio setor, valorização anual entre 10% e 20%, faixa que costuma ser citada como referência para quem avalia esse tipo de ativo. Mas essa faixa não é um número fixo aplicável a qualquer pedra: ela representa um intervalo dentro do qual diamantes específicos, com determinadas características técnicas, tendem a se movimentar. Entender por que essa faixa existe é mais importante do que simplesmente memorizar o número.
Esses fatores explicam essa variação e por que nem todo diamante se comporta da mesma forma dentro do mercado.
Por que diamantes não seguem o mesmo padrão de valorização do mercado geral?
Diferente de um índice de bolsa, que reflete o desempenho médio de centenas de empresas, o mercado de diamantes é fragmentado por categorias de qualidade e raridade. Diamantes com características raras, como tamanho incomum, cor especial ou clareza excepcional, tendem a se valorizar de forma bem mais acentuada do que pedras comuns, já que sua oferta é naturalmente mais limitada. Já diamantes de qualidade mediana, mais abundantes no mercado, costumam acompanhar uma valorização mais modesta e mais próxima da média geral do setor.
De acordo com Daniel Mors, é justamente essa fragmentação por categoria que explica por que a faixa de 10% a 20% ao ano aparece como referência para diamantes selecionados com critério técnico, e não como promessa aplicável a qualquer pedra bruta disponível no mercado.
O papel da qualidade técnica dentro dessa faixa de valorização
Os critérios que definem a qualidade de um diamante (quilate, cor, pureza e lapidação) também influenciam diretamente seu potencial de valorização ao longo do tempo. Pedras que reúnem boa pontuação nesses quatro critérios simultaneamente tendem a manter demanda mais consistente, já que atendem tanto ao mercado de joalheria quanto ao mercado voltado para colecionadores e investidores.
Daniel Mors considera que é esse conjunto de características técnicas, e não apenas o tamanho da pedra, que determina se um diamante específico vai se aproximar do topo da faixa de valorização citada ou ficar mais próximo do piso dela, o que reforça a importância de laudo técnico completo antes de qualquer decisão de compra voltada para valorização de capital.

Por que o mercado de diamantes também tem períodos de queda?
Nem todo período é de valorização constante. Análises do setor já registraram quedas de preço superiores a 15% em intervalos de doze meses em determinados mercados, geralmente associadas à redução de demanda em regiões específicas, como aconteceu recentemente em mercados asiáticos importantes para o consumo global de diamantes. Projeções para a indústria como um todo, inclusive, apontam crescimento composto anual mais modesto no longo prazo, na casa de poucos pontos percentuais, quando se considera o mercado de diamantes de forma agregada, sem distinguir por categoria de qualidade.
Daniel Mors elucida que essa diferença entre a média do mercado geral e a valorização observada em pedras certificadas de qualidade selecionada é o que explica por que a faixa de 10% a 20% ao ano não deve ser interpretada como garantia, mas como um comportamento histórico específico de determinada categoria de ativo, sujeito a variações conforme o cenário de demanda internacional.
Por que entender essa faixa evita expectativas equivocadas?
Tratar a valorização de diamantes como um número único e garantido é o erro mais comum entre quem entra nesse mercado sem informação técnica suficiente. A faixa de 10% a 20% ao ano descreve um comportamento observado em condições específicas, não uma regra universal aplicável a qualquer pedra, período ou cenário econômico.
Daniel Mors conclui que quem entende os fatores por trás dessa variação (qualidade técnica da pedra, raridade, momento de demanda do mercado) consegue avaliar com mais precisão se um diamante específico tem potencial real de se aproximar dessa faixa ou se está mais exposto a oscilações desfavoráveis. É esse tipo de leitura criteriosa, e não a repetição de um número isolado, que separa uma decisão de investimento bem informada de uma expectativa construída sobre uma média que nem sempre se aplica ao caso individual.
