A agricultura brasileira conseguirá produzir mais utilizando menos recursos?

Por Diego Velázquez
5 Min de leitura
Alfredo Moreira Filho

De acordo com Alfredo Moreira Filho, vencedor do prêmio Engenheiro do Ano do Amazonas, concedido pelo CREA/AM, em 1982, a agricultura brasileira enfrenta um dos maiores desafios de sua história: ampliar a produção de alimentos enquanto reduz o consumo de água, energia, insumos e áreas cultivadas. Esse cenário resulta da combinação entre crescimento da demanda mundial, pressões ambientais e necessidade de manter a competitividade em um mercado cada vez mais exigente. Produzir mais já não depende apenas da expansão territorial, mas da capacidade de utilizar os recursos disponíveis de forma inteligente e eficiente.

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O que significa produzir mais com menos?

Durante décadas, o crescimento da produção agrícola esteve fortemente associado à abertura de novas áreas e ao aumento do uso de fertilizantes, defensivos e recursos naturais. Embora esse modelo tenha contribuído para expandir a capacidade produtiva, ele passou a enfrentar limitações econômicas, ambientais e regulatórias que exigem uma nova forma de pensar o desenvolvimento do setor. Esse cenário reforça a necessidade de buscar soluções capazes de conciliar eficiência produtiva, sustentabilidade e competitividade.

Hoje, produzir mais com menos representa aumentar a eficiência em todas as etapas da atividade agrícola. Segundo Alfredo Moreira Filho, isso envolve desde a escolha das cultivares até a utilização racional da água, o monitoramento das condições do solo e o planejamento detalhado das operações. Cada decisão passa a ser orientada por informações capazes de reduzir desperdícios e elevar o aproveitamento dos recursos disponíveis. Dessa forma, a produtividade deixa de depender exclusivamente da expansão da área cultivada e passa a refletir a qualidade da gestão.

Essa mudança também altera o perfil da gestão rural. Em vez de focar apenas no volume produzido, produtores e empresas buscam indicadores relacionados à produtividade por hectare, ao consumo de insumos e ao retorno econômico de cada investimento. O resultado é uma agricultura mais técnica, baseada em planejamento e melhoria contínua. Essa evolução fortalece a capacidade do setor de responder às novas demandas econômicas, ambientais e sociais que marcam o agronegócio contemporâneo.

Como a tecnologia contribui para aumentar a eficiência?

A transformação digital tornou-se uma das principais aliadas da agricultura moderna. Sensores instalados no campo, imagens obtidas por satélites, drones e softwares especializados fornecem informações detalhadas sobre o comportamento das lavouras, permitindo intervenções mais rápidas e precisas. Esse conjunto de ferramentas reduz perdas e melhora a utilização dos recursos naturais.

Outra mudança relevante, ressaltada por Alfredo Moreira Filho, está na agricultura de precisão, que permite aplicar fertilizantes, corretivos e defensivos apenas onde realmente existe necessidade. Essa prática diminui custos operacionais, reduz impactos ambientais e contribui para manter o equilíbrio do solo ao longo das safras. A aplicação localizada também favorece melhores resultados produtivos sem aumentar o consumo de insumos.

Quais desafios ainda precisam ser enfrentados?

Apesar dos avanços tecnológicos, Alfredo Moreira Filho destaca que a adoção dessas soluções ainda ocorre de maneira desigual entre diferentes regiões e perfis de produtores. Questões relacionadas ao acesso à conectividade, ao custo dos investimentos e à capacitação das equipes continuam limitando o aproveitamento pleno das ferramentas disponíveis. Superar essas barreiras será fundamental para ampliar os ganhos de eficiência em larga escala.

Outro aspecto importante envolve a adaptação às mudanças climáticas. Eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, aumentam a imprevisibilidade da produção agrícola e exigem sistemas mais resilientes. Estratégias como manejo conservacionista, diversificação de culturas e monitoramento climático tornam-se cada vez mais relevantes para reduzir riscos e preservar a produtividade.

Também cresce a necessidade de integrar sustentabilidade e rentabilidade. Mercados consumidores valorizam cadeias produtivas capazes de demonstrar responsabilidade ambiental, rastreabilidade e uso racional dos recursos naturais. Essa realidade transforma boas práticas agrícolas em diferenciais competitivos, fortalecendo o posicionamento do setor tanto no mercado interno quanto nas exportações.

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