Chuvas fora de época atrasaram o ciclo das árvores símbolo da capital, mas a floração já começou na Asa Sul, na Asa Norte e na Esplanada dos Ministérios.
Brasília está entrando na temporada mais aguardada pelo brasiliense: a floração dos ipês. Em junho de 2026, as primeiras árvores roxas começaram a desabrochar na Asa Sul, na Asa Norte e na Esplanada dos Ministérios, dando início a um espetáculo de cores que se repete todos os anos durante o período da seca no Cerrado. Mas neste ano, muita gente notou que o fenômeno chegou um pouco mais tarde do que o esperado, e a explicação está diretamente ligada ao clima. A bióloga Ana Carolina Ribeiro explica que a floração das árvores ocorre por conta do clima do Cerrado, no qual a espécie entra em dormência e reduz a quantidade de energia, o que leva à perda das folhas e direciona o ipê-roxo a florescer. Quem acompanha esse ritual sazonal certamente já se perguntou por que a cidade muda de cor sempre nessa época e por que, em 2026, esse processo parece ter demorado um pouco mais. Esta matéria explica o que motiva esses atrasos, como funciona o calendário das cores em Brasília e o que a Novacap, responsável pela arborização do Distrito Federal, está fazendo para manter viva essa tradição. Correio Braziliense
Por que a floração dos ipês atrasou em 2026
A resposta para o atraso registrado neste ano está nas condições climáticas atípicas observadas em Brasília ao longo do primeiro semestre. De acordo com a especialista Ana Carolina, embora seja verdade que o clima fora de época afeta a planta adaptada ao período de seca, as árvores têm condições próprias de funcionamento, de forma que fatores externos também podem atrasar o aparecimento das flores. Isso significa que o ipê não floresce apenas porque chegou determinado mês do calendário, mas sim porque o conjunto de temperatura, umidade e ausência de chuva sinaliza ao organismo da planta que é hora de entrar em dormência e, em seguida, florescer. Correio Braziliense
Segundo relato publicado pelo Jornal de Brasília, a bióloga Paula Sicsú, criadora de um aplicativo colaborativo que mapeia a localização dos ipês floridos na capital, detalhou esse mecanismo com mais precisão. Ela afirma que a umidade e as baixas temperaturas funcionam como gatilhos para que as árvores entendam o momento certo de florescer, e que neste ano, como choveu muito fora de época e ficou mais úmido, não veio o frio típico que normalmente dá esse gatilho inicial. Essa combinação de fatores fez com que o ciclo natural sofresse um pequeno descompasso em relação aos anos anteriores. Ainda assim, a paisagem segue seu curso: mesmo após chuvas inesperadas no mês de junho, os ipês-roxos não deixaram de transformar Brasília em um cenário típico da estação, com o primeiro desabrochamento das flores já visível na Esplanada dos Ministérios e nas superquadras da Asa Norte e Asa Sul. Para quem mora na capital, esse tipo de variação reforça uma curiosidade recorrente sobre o comportamento da natureza em uma cidade tão marcada pelo paisagismo planejado. Jornal de BrasíliaCorreio Braziliense
Como funciona o calendário de cores dos ipês no Distrito Federal
Uma das dúvidas mais comuns entre moradores e visitantes é entender a ordem em que as cores aparecem ao longo do ano, já que a paisagem da capital muda diversas vezes entre o inverno e a primavera. O ipê-roxo costuma florescer entre junho e agosto, sendo o primeiro a abrir suas flores na temporada. Depois dele, entra em cena a variedade mais aguardada pelos moradores. De julho a setembro é a vez da floração dos ipês-amarelos, com a Novacap cultivando três espécies diferentes da cor: o ipê-amarelo-felpudo, o ipê-caraíba e o ipê-de-petrópolis, cada uma com pequenas variações na tonalidade e no formato das folhas. Na sequência, surgem os tons mais delicados. O branco surge a partir de agosto, junto com o ipê-rosa, e por último floresce o verde, considerado o mais raro entre os ipês, com alguns exemplares concentrados no Parque da Cidade. Jornal de Brasília + 2
Essa sequência de cores não é apenas um detalhe estético, mas também resultado de décadas de planejamento urbano da capital. Atualmente, há um total de 5 milhões de árvores cadastradas pela Novacap em todo o Distrito Federal, distribuídas entre dezenas de espécies nativas do Cerrado. Quem deseja acompanhar de perto esse fenômeno e descobrir onde as árvores já estão floridas pode contar com ferramentas digitais criadas justamente para esse fim. O aplicativo Ipês, desenvolvido pela bióloga brasiliense Paula Sicsú e disponível tanto para Android quanto para iOS, permite que o próprio usuário identifique ou registre no mapa a localização exata das árvores e informe se estão floridas ou não, podendo inclusive filtrar a busca por cor. A iniciativa, mantida de forma colaborativa, tornou-se uma referência entre quem gosta de planejar passeios fotográficos pela cidade durante a temporada de floração. NovacapJornal de Brasília
O papel da Novacap na preservação dos ipês em Brasília
Manter viva a tradição dos ipês na capital depende diretamente do trabalho técnico da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, responsável pelo plantio, pela poda e pelo monitoramento fitossanitário das árvores em áreas públicas do Distrito Federal. A Novacap mantém um programa de arborização contínuo e, somente entre os anos de 2020 e 2025, plantou 11.215 mudas de ipês-roxos no DF, parte de um esforço mais amplo que abrange diversas espécies nativas do Cerrado. Esse trabalho ganhou ainda mais força nos últimos anos, com a companhia ampliando sua capacidade produtiva. O acumulado mais recente do programa de arborização, iniciado em 2019, supera 280 mil mudas produzidas, considerando plantios já executados e contratos encerrados, com novos contratos fechados para execução em 2026 e 2027. Correio BrazilienseCidadesecondominios
A produção das mudas segue um processo cuidadoso, que começa muito antes de qualquer árvore chegar às ruas da cidade. Cerca de 97% das mudas utilizadas pela Novacap são originadas de sementes coletadas no próprio Distrito Federal e em expedições técnicas ao Cerrado, em Goiás e Minas Gerais, com o viveiro da companhia trabalhando atualmente com mais de 130 espécies diferentes. Depois de germinadas, essas mudas passam por um período prolongado de adaptação antes de irem para o plantio definitivo. Elas permanecem entre oito meses e um ano em cultivo, passando por um processo de rustificação que as prepara para enfrentar vento, variação térmica e estresse hídrico antes de serem levadas a campo. Mesmo com todo esse cuidado, o processo enfrenta desafios técnicos relevantes, sobretudo relacionados ao solo urbano alterado pela própria construção da cidade, o que torna o trabalho de manutenção arbórea uma tarefa contínua e nunca totalmente concluída. CidadesecondominiosCidadesecondominios
Acompanhar a floração dos ipês deixou de ser apenas um hábito visual e se tornou parte da identidade do brasiliense, que associa as cores da cidade às estações do ano de um jeito único no país. O fenômeno também carrega um valor ecológico importante, servindo de alimento para abelhas, beija-flores e outros polinizadores, além de contribuir para a redução do calor e a melhoria da qualidade do ar nas áreas urbanas. Para quem deseja aproveitar a temporada nas próximas semanas, vale ficar atento à Asa Sul, à Asa Norte e à Esplanada dos Ministérios, onde os primeiros roxos já apareceram, sabendo que os amarelos, os mais aguardados pelos moradores, devem tomar conta da paisagem a partir de julho.
Fontes consultadas:
- https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2026/06/7444999-ipes-roxos-da-capital-convidam-a-reflexao-sobre-preservacao-do-cerrado.html
- https://jornaldebrasilia.com.br/brasilia/temporada-de-floracao-dos-ipes-amarelos-colore-as-ruas-do-distrito-federal/
- https://jornaldebrasilia.com.br/brasilia/ipes-roxos-abrem-a-temporada-de-floracao-no-df/
- https://www.cidadesecondominios.com.br/2026/02/distrito-federal-ultrapassa-218-mil.html
- https://www.novacap.df.gov.br/servico-de-poda-de-arvores-ganha-reforco-em-todo-o-df/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
