Segunda fase da Patrinus Malus resultou em 29 indiciamentos e reforça atuação conjunta das forças de segurança na capital federal.
Uma investigação que já dura mais de um ano culminou, no início de junho, no cumprimento de 19 mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma organização criminosa que atuava no Distrito Federal e em cidades do entorno goiano. A ação, batizada de Patrinus Malus, expressão em latim que significa padrinho do mal, foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal, conhecida pela sigla FICCO/DF, e reacende o debate sobre como facções criminosas tentam consolidar poder territorial mesmo em regiões administrativas centrais da capital.
A força tarefa realizou a segunda fase da operação com o cumprimento de 19 mandados de prisão preventiva expedidos pelo Poder Judiciário do Distrito Federal, decorrentes da conclusão de uma investigação que apurou a atuação de integrantes de organização criminosa na região. Ao final das apurações, 29 pessoas foram indiciadas pelos crimes investigados, das quais 19 tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, enquanto outras dez foram alvo de medidas cautelares diversas da prisão. Os mandados começaram a ser cumpridos no fim de maio, em ação conjunta com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e com a Patrulha Tática Motorizada, a PATAMO. GOV.BRGOV.BR
Como a investigação começou
A origem da operação remonta a maio de 2025, quando a FICCO/DF deflagrou a primeira fase da Patrinus Malus como desdobramento de uma investigação anterior, chamada Operação Fragmento. Naquele momento, o objetivo era conter a expansão de uma facção que buscava controlar pontos estratégicos de comercialização de drogas e ampliar sua base de membros. A ação mobilizou cerca de 80 policiais das forças de segurança pública que integram a FICCO/DF para o cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.
As diligências daquela primeira etapa ocorreram nas regiões administrativas de Taguatinga, Ceilândia e Itapoã, além do município goiano de Valparaíso de Goiás e de celas do Complexo Penitenciário da Papuda, onde estão custodiados integrantes ligados à organização. Segundo a investigação, o grupo mantinha uma estrutura organizada para recrutar novos membros e proteger os interesses dos criminosos, com indícios de envolvimento em diversos crimes e em tentativas de controle territorial. Um dos alvos, já preso anteriormente na ocasião, se apresentava como uma espécie de padrinho responsável por apadrinhar novos integrantes, o que deu nome à operação. Folha do EstadoMais Goiás
A força tarefa por trás da ação
A FICCO/DF reúne integrantes da Polícia Federal, da Polícia Penal Federal, ligada à SENAPPEN, da Polícia Penal do Distrito Federal, da Polícia Civil e da Polícia Militar, funcionando como uma estrutura de cooperação permanente entre diferentes órgãos de segurança pública. Esse modelo integrado tem sido cada vez mais usado em todo o país no enfrentamento a organizações criminosas com atuação transestadual, já que muitas facções deixaram de operar apenas em um único território e passaram a se articular entre o Distrito Federal e municípios vizinhos de Goiás. Mais Goiás
O caso se insere em um esforço mais amplo do governo federal para reforçar o combate ao crime organizado em 2026. Em maio, a Polícia Federal já havia deflagrado a Operação Força Integrada II, ação coordenada em 16 estados que mobilizou as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado criadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o cumprimento de 165 mandados de busca e apreensão e 71 mandados de prisão voltados ao tráfico de drogas, de armas e à lavagem de dinheiro. Atualmente, esse modelo de força tarefa está presente em quase todos os estados e no Distrito Federal, reunindo diferentes corporações sob uma mesma coordenação operacional. GOV.BR
Para o morador do DF, o resultado da Patrinus Malus tem impacto direto na rotina de bairros e regiões administrativas historicamente afetadas pela presença de facções, como Taguatinga, Ceilândia e Itapoã. Operações desse tipo buscam não apenas prender lideranças, mas também desarticular a estrutura financeira e logística que sustenta o recrutamento de novos membros, incluindo jovens em situação de vulnerabilidade social. A continuidade das investigações, inclusive dentro do sistema penitenciário, mostra que parte da coordenação criminosa segue ocorrendo mesmo com integrantes presos, o que reforça a necessidade de monitoramento constante dentro das unidades prisionais do Distrito Federal.
A segunda fase da operação também demonstra o tempo que investigações desse porte demandam até chegarem à fase de prisões efetivas. Entre o início das buscas, em maio de 2025, e o cumprimento dos mandados de prisão preventiva, em maio e junho de 2026, transcorreu mais de um ano de trabalho de inteligência, coleta de provas e tramitação judicial. Para as forças de segurança do DF, o resultado reforça a importância da cooperação entre diferentes corporações e sinaliza que a repressão a facções na capital federal deve seguir como prioridade nos próximos meses, especialmente diante do avanço, em nível nacional, de propostas legislativas voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
Fontes: Polícia Federal | Folha do Estado | Agência Gov
